O Fim – Parte II

E enfim, médico. Já se passaram 3 meses desde a conclusão do Curso de Medicina. Para ser mais exato, 96 dias. Será que é tempo suficiente de sentir falta dos corredores do HC, da proteção dos preceptores e da supervisão dos Assistentes? No fim, quando você tem o seu próprio carimbo e registro no CRM, as coisas passam a ser um pouco diferentes.Leia mais »

O Fim – Parte I

Poucas pessoas têm a oportunidade de se lembrar exatamente dos melhores dias das suas vidas. No máximo nos lembramos de algumas coisas que aconteceram, e o restante criamos em nossas mentes na tentativa de reviver a sensação que sentimos nesses dias. E, pensando bem, o que realmente não esquecemos são as sensações.

Eu lembro bastante do dia em que vi meu nome na lista do vestibular, e as vezes a sensação daquele momento bate muito forte na memória, um misto de alívio e felicidade, além da ansiedade por algo que, nem na minha melhor expectativa, eu imaginava que iria me acontecer nos próximos anos. Como se esquecer do abraço cheio de lágrimas da mãe e da ligação para o serviço do pai, vozes abafadas e cheias de emoção.

Foram dias de expectativa até o momento da matrícula na tão sonhada faculdade, a qual foi facilmente superada no momento em que atravessei os portões daquele lugar que seria minha nova casa por tantos anos. As sensações de admiração e orgulho, simultâneas à insegurança de não ser merecedor de tudo aquilo, ainda ficam registradas na minha cabeça. Lembro de muitos amigos de turma dizendo que estavam com medo de chegar na Sala da Graduação para assinar a lista e o nome não estar lá: fora tudo um engano. No fim não foi, assinei meu nome e sai de lá diretamente para o porão da faculdade quando meus olhos e ouvidos não conseguiram captar toda a informação que eu queria registrar para não esquecer de nenhum detalhe.

Os veteranos diziam que levaríamos dias e semanas para aprender tudo o que a faculdade iria nos ensinar e oferecer, mas, na realidade, leva anos. A sensação de todos no início é a mesma. “Estamos vivendo um sonho”, que muitas vezes era até melhor do que esperávamos. E assim começa o primeiro ano de faculdade, com o ego inflado e alegria inabalável que nem mesmo as matérias terríveis do primeiro ano conseguiam diminuir. Mas aos poucos isso vai passando.

Você conhece pessoas que serão suas companheiras por anos e anos, nos melhores e piores momentos. Você passa sufoco estudando e indo mal nas provas, e bate aquele desânimo de que Medicina talvez não era bem o que nós achávamos que era. Essas sensações também ficam guardadas conosco. Porém as alegrias que encontramos fora das salas de aula nos fazem seguir em frente. Poucos cursos e faculdades têm o privilégio de oferecer tantas atividades extra-curriculares como as nossas, e trabalhamos duro para mostrar que somos capazes de mantê-las vivas para os nossos calouros.

E aí chegam as matérias extremamente difíceis do curso, no ano que é atormentado pela formação dos grupos de Internato. Nessa altura, perdemos muito do que éramos naqueles primeiros dias, e o orgulho e vontade de ser médicos acabam se tornando um pouco como obrigação de decorar milhões de coisas e passar nas provas.

No entanto, felizmente, chega o Internato e traz novas sensações que certamente todos nós passamos e revivem um pouco do que éramos. Momentos como atender uma criança e ela te abraçar no final da consulta, ou trazer ao mundo um bebê num parto, ou convencer uma gestante com bolsa rompida com 27 semanas de que tudo ficaria bem, ou explicar para a mulher que traz o laudo da mamografia que aquilo não é câncer, ou até mesmo dar esse diagnóstico para alguém e dizer que faremos o possível para ajudá-la.

Além disso, não nos esquecemos de quando vemos a morte pela primeira vez, algumas vezes trágica, algumas vezes tranquila, ou da massagem cardíaca que dá certo, ou quando você consegue pela primeira vez passar um catéter central ou fazer uma intubação na emergência. E quando você faz o diagnóstico correto e já sente cada dia mais segurança, que acaba tão rápido quando você faz uma hipótese errada e sente que tem que estudar um pouco mais. Também chega a hora que você já não precisa mais perguntar qual é a dose de tal remédio, que consegue convencer tantos Josés e Marias a tentarem manter uma vida mais saudável e aderir ao tratamento de suas doenças.

Tem também os momentos que você reencontra alguém que você atendeu muito tempo atrás, e ele te agradece dizendo que você salvou a vida dele. Ao mesmo tempo tem momentos como dar a notícia de que um adolescente morreu num acidente de carro, ou de um marido de tantos anos que não aguentou a mais um infarto, ou participar de um parto de gêmeos unidos que iriam morrer com poucas horas de vida.

A Medicina vai muito além do que imaginávamos e sonhávamos. Entremeada com muito cansaço, dor de cabeça e no corpo todo, fome, sede, noites passando frio e sono, ela nos mantém firmes, nos faz estudar, nos faz chorar, nos faz repensar da forma como levamos nossas vidas e nos traz alegrias imensas. Como vale a pena tudo isso que passamos! Agora fica a sensação de dever cumprido, de gratidão por todos que fizeram parte dessa história, de saudades e nostalgia.

E enfim, depois de muito anos que passam rápido demais – ou nem tanto -, chegamos ao fim e o sonho se torna realidade: somos médicos!

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Obstetrícia HC e Ortopedia – 6º Ano

Última semana. Alguns de vocês me acompanham desde a primeira, lá em 2009. Vejam quanta coisa mudou de lá para cá!

Mas antes de começar o saudosismo e os textões de fim de faculdade (que preparem-se, serão colossais), vamos falar dos dois últimos estágios do internato: Obstetrícia e Ortopedia. E, pela primeira vez desde 2013, falarei de algo ao vivo, já que finalmente consegui colocar os posts em dia. Estou passando agora pelo estágio de Ortopedia, e meu último plantão (da graduação!!!) foi na segunda-feira! Então, vamos lá:

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Pronto-Socorro do HC – 6º Ano

Preparem-se que esse post será longo e cansativo. Tanto quanto foi esse estágio nos pronto-socorros do HC. Foram os 66 dias mais intensos da faculdade, sem sombra de dúvidas. Dias em que dormi muito pouco e muito mal, quase não vi a minha família e meus amigos, passei mais tempo no hospital do que fora dele, me esgotei achando que estava chegando no meu limite. Mas foram dias que descobri que meu limite é muito maior do que eu achava, que aproveitei cada segunda dentro do hospital, que recebi apoio da minha família e amigos e que aprendi a valorizar cada minuto de descanso que aparece.

Escutamos desde os primeiros dias de faculdade que ocorre uma transformação quase que milagrosa durante o internato. É aquele momento em que você deixa de ser um aluno inseguro e passa a agir como um médico que tem que ter confiança nos seus conhecimentos e atos. Acho que o mais próximo disso é esse estágio.

E, antes que me xinguem, respondo dia e noite comentários e emails perguntando sobre tempo livre e se é possível ter vida durante a faculdade de medicina. Pelo pouco que escrevi até agora, vocês devem estar imaginando que a resposta é não. Mas não é verdade! Foram só 2 meses que a gente tem uma imersão nesse tipo de vida, e, pra falar bem a verdade, eu não vivi muito porque preferia dormir no tempo livre hahaha

Mas vamos lá que temos 4 tópicos para falar, pois esse estágio de pronto-socorro é dividido em 4 partes:Leia mais »

Neonatologia, Pediatria Terciária, Pronto-Socorro de Pediatria – 6º Ano

Amigos, antes de mais nada, faltam apenas 20 e poucos dias para chegarmos ao fim. E, obviamente, que eu estou atrasado para escrever aqui. Será que vai dar tempo?

Hoje falarei sobre os estágios de Pediatria do Sexto ano. Além da Pediatria do quinto ano (leia aqui e aqui), que é basicamente a Pediatria “normal” do dia-a-dia, nós temos novamente no sexto ano, mas um pouco diferente. São três estágio: neonatologia, enfermaria e PS do Instituto da Criança (que é um hospital terciário).

Então vamos lá:Leia mais »

Cirurgia Geral – 6º Ano

Hoje vamos falar sobre o estágio de Cirurgia Geral do Hospital Universitário! Provavelmente eu citei por aqui que eu adorei os estágios de cirurgia do 5º ano, e até cogitei cirurgia como especialidade, visto que eu gosto muito de Técnica Cirúrgica. E aí veio este estágio, e mais um (que falarei muito em breve), para eu definir de vez minha especialidade.

Bom, este estágio é dividido em muitas partes: enfermaria, centro cirúrgico, Ortopedia e Pronto-Socorro.

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Clínica Médica – 6º Ano

Enfim chegamos ao último ano! E na marca dos 50 dias para o fim da faculdade, começo a escrever sobre esse ano que está sendo incrivelmente cansativo e transformador. Dizem que acontece um milagre durante o internato, em que não sabemos nada e de repente aprendemos tudo, da noite para o dia. O mais próximo disso é, sem dúvidas, o sexto ano (muito embora eu ainda acho que falta muuuuuuito ainda, mesmo só faltando 50 dias!).

O Sexto Ano aqui na minha faculdade tem enfoque maior em emergência e passamos grande parte do nosso tempo em pronto-socorro. Metade do ano ficamos no Hospital Universitário (HU), que é secundário, e na outra metade ficamos no Hospital das Clínicas (HC), que é terciário. Vou começar a contar pela ordem que eu passei, de janeiro até hoje.

Para começar, falarei do estágio de Clínica Médica do Hospital Universitário:Leia mais »